Wander Wildner y sus Comancheros estan lançando su quinto album, LA CANCION INESPERADA,
un disco produzido por Berna Ceppas y Kassin, ay que escutar-lo!
Esta é uma obra de verdade.
E da verdade.
A verdade do poder da música.
La Canción Inesperada é capaz de despertar os mais viscerais e simplórios dos sentimentos, aqueles que autorizam a sair escrevendo clichês,
relembrar amores desfeitos ou as memórias da infância, sacar de um lencinho pra secar as lágrimas. E sentir-se bacana com isto tudo.
Wander Wildner y sus Comancheros trilharam um longo caminho para chegar aqui e poder entregar seu melhor disco.
Eles mesmos demoraram para entender sua vocação meio Wando meio wild – como diz em “Bocomocamaleão”,
letra inspirada de Antônio Villeroy para música idem de Jimi Joe, algo como se o Gaúcho da Fronteira encontrasse Waldick Soriano.
Hoje, se transformaram em roqueiros punkfolks capazes de impressionar beberrões de uísque barato que batem o pé em bailões do interior do país
ou adeptos de alt-rock que rebolam sua modernidade nas festinhas blasés das capitais. Suas músicas de culto tem todos os elementos para fazer
sucesso popular.
Wander Wildner y sus Comancheros concedem riffs de guitarras ao que se convencionou chamar de brega há um bom tempo, mas nunca tinham gravado um álbum
tão complexo em sua simplicidade, tão fechado no conceito dos artistas que navegam entre a ingenuidade e a profundidade no mesmo verso.
Produzido pela dupla mais do que dinâmica Berna Ceppas e Kassin, e co-produzido por Fabiano França, La Canción Inesperada é uma coleção de canções movidas
pela intensidade entre o nonsense e o infantil de Wander e de seus parceiros sulistas (os gaúchos Jimi Joe, Antônio Villeroy, Frank Jorge,
Marcelo Birk, King Jim, Nenung e Carlos Panzenhagen; os catarinenses da Stuart, de Blumenau, e d’Os Pistoleiros, de Florianópolis).
“Um Bom Motivo”, do Stuart e do refrão “então me dê um motivo pra não chorar / me dê motivos pra não cheirar cola esta noite” é um baladão
propício para a voz rascante de Wander; “La Canción Inesperada” e sua pompa paraguaia remete aos comancheros pé na estrada; a versão para
“Os Pistoleiros” concede um lirismo excepcional ao alt-country da banda homônima; “Porta Retratos” é uma faixa confessional que tem na melodia
a mesma carga emocional de frases na linha de “como um cachorro eu te amei / e sigo em frente a caminhar”; “Amigo Punk” é a releitura obrigatória
do hippie punk rajneesh para o clássico oitentista da Graforréia Xilarmônica, uma milonga com punch de rock e bafo de cachaça pós-balada;
“Wynona” é um frio spoken word emoldurado por uma guitarra que lembra King Crimson até explodir no refrão caliente de roqueiros
platonicamente apaixonados: “eu vou cuidar do seu coração!”; a versão para “Without you” é o Badfinger com Tom Waits no vocal;
“Filme Chinês” baixa a intensidade para narrar mais uma história de um andarilho das madrugadas urbanas; “O Reverendo Rock Gaúcho”
é a mais apaixonante e contundente declaração de amor ao rock alternativo já feita em língua portuguesa (com citações a artistas tão obscuros
quanto interessantes da cena gaúcha); “Mares de Cerveja”, originalmente gravada pela Barata Oriental, é um hard rock de manifesto capaz
de levantar qualquer noitada com seu refrão “reconquistar a força pra remar / e navegar em mares de cerveja”; o punk abolerado “En Su Corazón”
fecha os trabalhos no mais perfeito español selvagem, aludindo aos amigos comancheros, velhos beats que sabem reconhecer como poucos a importância
de tê-los e de dividir com eles uma porção de belas canciones inesperadas.
veja o VIDEOCLIPE de ¨AMIGO PUNK¨ dirigido por JULIA PORTELLA e MELINA SCHLEDER e o VIDEO de ¨OS PISTOLEIROS¨ no estudio durante a mixagem