Wander Wildner, Jimi Joe, Georgia Branco, Pitchu, Arthur de Faria e convidados
se apresentaram no ABRIL PRO ROCK, veja algumas musicas.

SANDINA
MANTRA DAS POSSIBILIDADES
WYNONA
LA CANCION INESPERADA
RODANDO EL MUNDO
HIPPIE-PUNK-RAJNEESH
AMIGO PUNK
BEBENDO VINHO
RETALHOS DE CETIM
EU NAO CONSIGO SER ALEGRE O TEMPO INTEIRO
EU TENHO UMA CAMISETA ESCRITA EU TE AMO

FOLHA DE SAO PAULO, terça-feira, 15 de abril de 2008
Crítica/show
Abril pro Rock consagra Wildner e pianista jovem

Em sua 16ª edição, o Abril pro Rock conseguiu equilibrar bem a vocação de plataforma do alternativo nacional
com a necessidade de atrair um público que, na maioria das vezes, demanda mais do mesmo.
E quem foi atrás do novo Brasil nos dois dias do festival (sexta e sábado), no Chevrolet Hall, saiu com grandes memórias,
ambas do sábado: a ousadia do pianista pernambucano Vítor Araújo, 18, e a catarse do veterano Wander Wildner
- a quem talvez ainda faltasse alguma consagração.
O garoto de background erudito deu a "Paranoid Android", do Radiohead, ares de Debussy e Bach, acento de jazz
a Chico Buarque, e algumas lições às muitas bandas ainda verdes, ou meramente imitativas, do festival.
Araújo mostrou personalidade e discurso próprio e enfrentou sem medo as dificuldades sonoras do palco 2,
percebidas em outros shows, mas realmente cruéis com o piano solo.
Mesmo assim, foi em transe que centenas de pessoas se apinharam perto das caixas de som para vê-lo transitar,
em estado de hipnose, pelo frevo e por Villa-Lobos. Virou o momento único, a imagem a ser trazida do Recife.
Por sua vez, Wildner, reforçado por gaita (acordeon, segundo os gaúchos) e metais convidados, desfilou no palco 1
seu punk-brega descarado e acabou tendo a melhor resposta de público do sábado.
O simpático toque frevo de "Eu Tenho uma Camiseta Escrita Eu te Amo" ganhou a noite para o gaúcho,
que fez possivelmente o grande show de sua carreira.
Na noite de Lobão, Céu e Datsuns (Nova Zelândia), os gaúchos do Superguidis exibiram, com raça e paixão,
um powerpop que merece ser ouvido mais vezes e fizeram o melhor show em língua pátria dos palcos secundários,
tomados por anglófonos -o que não é crítica quando há gente antenada e precisa, como os pernambucanos do Sweet Fanny Adams,
mas uma constatação. Na noite de sexta, que teve New York Dolls (ótimo) e Bad Brains (nem tanto), os destaques
do novo Brasil foram The Sinks (RN) e Vamoz (PE). Os potiguares têm peso e melodia, entre o stoner, o Nirvana e o Weezer
e deram (bom) refrão em inglês a quem precisa. O Vamoz, extremamente dinâmico nas guitarras,
honrou a ebulição rock que sempre se espera do Recife.
O jornalista MÁRVIO DOS ANJOS viajou a convite da organização do Abril pro Rock

SENHOR F
Wander Wildner, um artista (de verdade) e seu tempo

O eterno beatnik e “mais recifense” de todos os gaúchos, Wander Wildner, fez o melhor show do Abril Pro Rock.
Em pouco mais de 30 minutos, mostrou sua alma de artista verdadeiro, sintonizado com seu tempo, que desafia,
provoca e surpreende o público. Quando todos esperavam o “punk reto” do jogo ganho, ele introduziu sanfona, rabeca
e sopros em suas baladas sangrentas, cantou samba-jóia e botou todo mundo para dançar frevo.
Uma postura que, por exemplo, entusiasmou o radialista português Henrique Amaro, do programa Portugália, da RTP,
que assistia ao show. Misturando punk & frevo & climas portenhos, WW deu uma aula de como é possível incorporar o novo,
o universal, sem abandonar as origens históricas regionais e do próprio festival. Ao lado dele, amigos-músicos
de grande competência e sensibilidade, como Jimi Joe (guitarra), Arthur de Faria (sanfona e teclados) e Geórgia (baixo),
complementaram o clima afetivo que sintonizou palco e platéia. Alguns momentos, como nas músicas 'Bebendo Vinho',
'Um Bom Motivo' (música da banda Stuart), 'Mantra das Possibilidades' e 'Eu Não Consigo Ser Alegre o Tempo Inteiro',
elevaram o grau da emoção. Em resumo, um show histórico que deu uma nova dimensão ao músico Wander Wildner,
agora definitivamente mais do que apenas o ex-vocalista dos Replicantes.
Um "mestre" da independência, do compromisso com a arte acima de tudo, Wander Wildner ainda ganhou um reconhecimento extra
no show dos conterrâneos Superguidis, também um dos melhores e mais surpreendentes do festival.
Na segunda música, Lucas Pocamacha dedicou o show ao "Wander, nosso pai", que assistia os guris nas primeiras filas.
* Fernando Rosa é editor de Senhor F.

O GLOBO ONLINE

contato e shows: wanderwildner@live.com